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Nos bastidores das estatísticas, muitos têm a segurança do trabalhador como missão

Razões por que a segurança no local de trabalho é importante. Ao investir em segurança do trabalho, atuando principalmente na prevenção de acidentes.

Os números sobre acidentes de trabalho que compõem estatísticas amplamente divulgadas pela imprensa sul-mato-grossense nos últimos dias assustam e logo de cara alertam para a gravidade do problema. Quando o assunto é construção civil então, os números ganham proporções ainda mais trágicas. Nas linhas a seguir não há histórias de trabalhadores que precisaram e ainda precisam superar muita coisa para viver, ou que até deixaram a saudade como herança para os parentes. A ideia aqui é ir um pouco além, revelar ações de pessoas e empresas que têm a segurança do trabalhador como missão e que lutam para reduzir os números que oscilam a cada ano.

Durante todo o ano passado, segundo levantamento do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 1,4 mil trabalhadores da construção civil de Mato Grosso do Sul sofreram acidentes e 11 perderam a vida durante o expediente. Os números são ainda mais alarmantes quando comparados com dados mais antigos. Outra pesquisa da Previdência Social revela que em 2013 foram 784 acidentes no mesmo setor e cinco deles terminaram em morte. No ano anterior, em 2012, o número foi ainda maior, 1,2 mil acidentes com um total de sete mortes.
Enquanto os números oscilam, tem gente trabalhando duro para que a realidade não fique presa às estatísticas. Ilka Bueno tem 33 anos e 12 só como técnica de segurança do trabalho. Ela foi a primeira mulher de Campo Grande a se aventurar no setor da construção civil com essa função e hoje é respeitada pelos mais de 80 operários que trabalham para edificar um prédio de 19 andares no bairro Carandá Bosque, na Capital.
Ela foi parar no ramo por acaso, fazia faculdade de Medicina Veterinária e sem dinheiro para continuar na universidade foi convidada por um amigo para se aventurar no curso de Técnico em Segurança do Trabalho. Foram 18 meses de muito aprendizado e aperfeiçoamento até que a primeira oportunidade surgiu, há 13 anos, para um estágio na empresa onde ela trabalha até hoje, a Plaenge.
A oportunidade se transformou em paixão e a ideia de contribuir para melhorar as condições de trabalho de dezenas de pessoas que ela já orientou passou a ser uma missão de vida. Hoje Ilka tem orgulho de contar cada detalhe de invenções criadas pela própria empresa para evitar acidentes nos canteiros de obra.

Para quem não entende nada de construção, termos como proteção de sacada, serra conster e betoneira adaptada podem não representar nada, mas para quem está todo dia exposto a riscos no ambiente de trabalho, as inovações fazem muita diferença.
A primeira invenção da empresa que Ilka leva a reportagem para conhecer foi criada no Mato Grosso e patenteada, a iniciativa levou até prêmios nacionais do assunto. A serra conster nada mais é do que uma serra de bancada, usada para corte de madeiras e outros materiais, que possui toda a área cortante protegida por peças móveis. Com as proteções, o trabalhador não fica exposto a cortes e amputações, acidentes em que a serra é causadora campeã.
“Foi uma ideia simples capaz de mudar a vida de quem trabalha com isso. Com essas proteções, o trabalhador não consegue encostar em nenhuma parte cortante da serra e a chance de um acidente aqui é praticamente zero”, explica a técnica em segurança do trabalho.
Outra criação da empresa foi a betoneira adaptada. A máquina é usada para o preparo do concreto e fica ligada do início ao fim do expediente, afinal, sem cimento não há obra. A ideia da empresa foi outra vez simples, mas funcional: proteger o trabalhador de contato com qualquer engrenagem da máquina que possa colocar a vida do operário em risco. E deu certo.

 
“A gente não registra acidentes envolvendo esse tipo de máquina, qualquer parte do corpo que o trabalhador encostar vai estar protegida”. Entre as criações no canteiro de obras está ainda a proteção de sacada feita de ferro, que possibilita o trabalhador a atuar em alturas superiores a dois metros sem parte dos equipamentos de proteção individual, os chamados EPI's.

E o retorno de tanto empenho em criar equipamentos que propiciem mais segurança ao trabalhador ou investir em capacitação para os operários é quase que imediato.
O engenheiro civil e de segurança do trabalho Alexander Lindenberg trabalha diariamente para que as estatísticas de acidentes ou mortes em canteiros de obras fiquem perto do zero. Ele afirma que o principal ganho da empresa diante de tanto investimento é um trabalhador mais produtivo e feliz.
“Quando oferecemos aos trabalhadores melhores condições de segurança, ambientes de trabalho organizados e com condições mínimas de conforto, esses trabalhadores geralmente respondem com maior empenho, dedicação, confiança e um melhor clima organizacional. Sentem-se mais valorizados, pois percebem que a empresa valoriza seu maior bem: o trabalhador”.
NA INFORMALIDADE, O PROBLEMA
Presidente do sindicato que representa os milhares de trabalhadores formais da construção na cidade, José Abelha, do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário (Sintracom), afirma que a realidade hoje está muito avançada em relação a anos atrás.
“O trabalhador está propício a acidente toda hora, mas a gente tem visto que no geral as grandes empresas estão cumprindo as normas e os sistemas de segurança têm melhorado muito”, diz.
O sindicalista ressalta, ainda, a importância de conversas de especialistas com os trabalhadores e dias dedicados exclusivamente à segurança. Nesta sexta-feira (13), por exemplo, termina na obra visitada pela reportagem, no Carandá Bosque, a Semana Interna de Prevenção de Acidentes do Trabalho (Sipat).
Enquanto praticamente tudo é cumprido à risca pelas empresas regularizadas, o que preocupa muitos especialistas é a falta das mesmas iniciativas em obras informais espalhadas por todo o Estado. Levantamento recente do Sindicato da Indústria da Construção (Sinduscon) revela que pelo menos metade das obras de construção em Mato Grosso do Sul são tocadas na informalidade, ou seja, acabam não sendo fiscalizadas pelos órgãos competentes e a segurança do trabalhador é um assunto nunca explorado.
“Ter um trabalhador vítima de acidente na empresa é despesa para a própria empresa e para o governo e nós temos atacado fortemente isso. O que não tem ajudado o setor é a informalidade. Os acidentes acontecem, mancham a imagem da construção e quem sofre são as famílias e quem depende da construção para viver”, diz Amarildo Miranda Melo, presidente do Sinduscon.


O engenheiro Alexandre afirma que as dificuldades em prevenir os acidentes, também nas obras informais, estão nas características particulares do setor.
“Trabalhos em alturas, trabalhos com escavações, transporte de cargas elevadas e atividades com eletricidades são algumas das principais características. Todas possuem elevado risco de acidentes. Além disso, a construção é muito dinâmica. Uma das grandes dificuldades também é a rotatividade, pela característica das atividades, muitos trabalhadores entram e saem dos canteiros periodicamente. Isso dificulta muito a formação da ‘Cultura Prevencionista’”.
O especialista conta, ainda, que os ensinamentos sobre prevenção de acidentes precisam ser repassados exaustivamente pelos empregadores aos operários, só assim, segundo ele, os acidentes podem diminuir. “O trabalhador aprende a fazer o certo porque é certo e não porque tem alguém cobrando”.
DEPOIS DOS ACIDENTES, A JUSTIÇA
Apesar de todo o esforço, os acidentes teimam em acontecer e muitos deles viram processos que vão parar no Poder Judiciário.  Do início do ano até setembro, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT/MS) recebeu 2.730 novos processos envolvendo acidentes de trabalho, uma média de 10 novos processos por dia. No mesmo período, na 1ª instância, o tribunal solucionou 1.773 processos envolvendo acidente de trabalho.
Marco Mendes é juiz do trabalho e atua na 2ª Vara de Dourados, cidade a 225 quilômetros de Campo Grande. Ele conta que no ano de 2012, época de aquecimento no setor da construção civil, várias metas foram criadas pelos próprio tribunal em vários estados do país para redução dos acidentes.
"Foram realizados atos públicos voltados aos trabalhadores da construção civil em Campo Grande, Dourados, Três Lagoas e Aparecida do Taboado e diversos eventos científicos. Houve também distribuição de cartilhas educativas aos trabalhadores da construção civil. Também foi firmado compromissos de imposição de cláusula exigindo capacitação técnica dos trabalhadores, por meio de curso em saúde e em segurança do trabalho, na licitações de serviço com o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul e prefeituras de Campo Grande, Fátima do Sul, Rio Brilhante e Dourados”, explica.

Ainda de acordo com o magistrado, a preocupação ainda existe porque o setor é o campeão em quantidade de mortes. “Acidentes acontecem por falta de prevenção e falhas dos procedimentos de segurança. Falta capacitação dos trabalhadores para saberem lidar com situações anormais que possam surgir durante a execução do trabalho”.
O juiz explica também que pessoas vítimas de acidentes de trabalho ou que adoecem em razão do serviço que desempenham têm direito a reparação quando a negligência do empregador é constatada.
“Os pedidos mais comuns são de pensionamento em virtude da lesão que resultou na  redução da capacidade de trabalho e dano moral em virtude da lesão aos direitos de sua personalidade como perdas de membros do corpo, danos psicológicos, deformidades, cicatrizes, marcas capazes de causarem repulsa e situações que prejudiquem seu conceito na sociedade e sua autoestima”, completa o magistrado.
Confira mais detalhes sobre as estatísticas no infográfico abaixo:

Fonte: Correio do EStado
Publicado: 19/11/2015
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